Bem-estar & Estilo de Vida · 1 de set. de 2026 · Leitura: 3 min e 59s
Em altaAfastamentos por burnout crescem 823% em quatro anos no Brasil e reacendem debate sobre autonomia no trabalho
Com a NR-1 em vigor e recorde de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, profissionais buscam modelos de trabalho que permitam conciliar renda e qualidade de vida.
O ambiente de trabalho brasileiro atravessa uma crise de saúde mental que já aparece nos números oficiais. Dados da Previdência Social mostram que os afastamentos por burnout, ou síndrome de esgotamento profissional, saltaram de 823 casos em 2021 para 7.595 em 2025, um crescimento de 823% em apenas quatro anos. O dado é um recorte de um problema ainda maior: o país registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, o maior volume da série histórica, segundo o Ministério da Previdência Social, ante cerca de 221 mil em 2014.
O impacto não fica restrito à saúde individual, ele também tem preço para a economia. Segundo estimativas da Organização Pan-Americana da Saúde e do Banco Mundial, os prejuízos associados a transtornos mentais equivalem a 4,7% do Produto Interno Bruto brasileiro por ano, o que representa mais de R$ 550 bilhões, somando absenteísmo, presenteísmo, aumento de rotatividade e custos de recrutamento e treinamento. O chamado presenteísmo, quando o profissional está fisicamente presente mas psicologicamente esgotado e produz muito abaixo da sua capacidade, tem custo estimado em R$ 200 bilhões por ano para as empresas brasileiras, segundo o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças.
Diante desse cenário, entrou em vigor em maio de 2026 a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, do Ministério do Trabalho e Emprego. A norma passou a obrigar empresas de todos os portes a identificar, avaliar e gerenciar formalmente os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como sobrecarga, metas abusivas, assédio e jornadas excessivas, dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos. Especialistas em segurança do trabalho apontam que a mudança regulatória reconhece, de forma inédita na legislação brasileira, que o modelo tradicional de trabalho pode ser, ele mesmo, fonte de adoecimento.
Esse reconhecimento institucional acompanha uma mudança de comportamento que já vinha se desenhando. Pesquisas sobre trabalho remoto e flexível indicam que a possibilidade de organizar a própria agenda, eliminar deslocamentos e ficar mais perto da família tem impacto direto e positivo na percepção de bem-estar e no equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para uma parcela crescente de profissionais, a resposta a esse cenário de esgotamento não tem sido apenas pedir ajustes dentro da mesma estrutura de trabalho, mas buscar modelos alternativos, com mais controle sobre o próprio tempo e o próprio ritmo.
Esse movimento ajuda a explicar por que o trabalho autônomo e a economia do conhecimento crescem no país. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, mostra que o Brasil encerrou 2025 com 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. No mundo, segundo a consultoria Grand View Research, o mercado global ligado à economia de especialistas foi avaliado em US$ 252,3 bilhões em 2025, com projeção de chegar a US$ 480 bilhões até 2027, de acordo com o banco de investimentos Goldman Sachs.
É nesse contexto que a KLUQ surgiu no mercado nacional. A startup brasileira desenvolveu uma plataforma que funciona como um hub de conhecimento prático, permitindo que profissionais monetizem sua experiência por meio de sessões de consultoria online, no formato e no horário que fizerem sentido para quem oferece e para quem busca aquele conhecimento.
"Passei anos observando como o modelo tradicional de trabalho, com rotina fixa, deslocamento e pouca autonomia sobre a própria agenda, cobra um preço alto da saúde mental das pessoas. A KLUQ nasceu também como uma alternativa a isso. Ao monetizar o próprio conhecimento na plataforma, a pessoa organiza sua própria agenda, decide quando e quanto quer atender, e consegue conciliar isso com a vida pessoal, sem abrir mão de gerar renda. Não é preciso escolher entre qualidade de vida e ganhar dinheiro. A tecnologia hoje permite que alguém atenda de casa, no horário que funciona para a própria rotina, e ainda assim tenha um trabalho relevante e bem remunerado. Isso muda a relação da pessoa com o próprio tempo, e é exatamente isso que a KLUQ quer oferecer", afirma Rob Campi, fundador da KLUQ.
Para especialistas em saúde ocupacional, a combinação entre exigência regulatória, crescimento da economia do conhecimento e busca por modelos de trabalho mais flexíveis tende a se aprofundar nos próximos anos, à medida que empresas e profissionais reavaliam o custo real do modelo tradicional de trabalho, tanto para a saúde de quem trabalha quanto para os resultados das organizações.
Sobre a KLUQ
A KLUQ é uma startup brasileira dos segmentos EdTech e HRTech e atua no fomento do capital intelectual (Knowledge Marketplace P2P) no mercado da Economia da Expertise e tem o propósito de monetizar e democratizar o capital intelectual no país, conectando especialistas e pessoas ou empresas em busca de conhecimento sob demanda, de forma estruturada e estratégica. Mais informações em www.kluq.com.br.
