Negócios & Carreira · 1 de set. de 2026 · Leitura: 4 min e 23s
Em altaMetade das mães brasileiras é demitida em até dois anos após a licença-maternidade, aponta estudo da FGV

Penalidade salarial de até 21% e desligamentos após o retorno da licença empurram mulheres para o trabalho autônomo como alternativa de renda e flexibilidade.
Tornar-se mãe ainda representa, para grande parte das brasileiras, um ponto de ruptura na carreira. Um levantamento da Fundação Getulio Vargas mostra que 50% das mulheres com filhos são demitidas em até dois anos após o retorno da licença-maternidade no Brasil, e esse índice permanece elevado por até quase quatro anos após o afastamento. O dado explica, em parte, por que uma parcela crescente de mulheres tem buscado o trabalho independente como forma de conciliar renda, carreira e cuidado com os filhos.
O fenômeno tem nome na literatura econômica: penalidade da maternidade. Um estudo conduzido com dados de empregadores e empregados no Brasil, publicado pela Universidade Católica Portuguesa em parceria com pesquisadores brasileiros, identificou que a chegada de filhos resulta em uma diferença salarial de longo prazo de 21% entre mães e mulheres sem filhos, disparidade que não aparece de imediato, mas cresce de forma constante ao longo dos anos seguintes ao nascimento. Outro estudo, publicado na Revista Brasileira de Estudos de População, mostra que ter um filho em idade pré-escolar reduz em 52,2% as chances de a mulher estar no mercado de trabalho, e a presença de dois ou mais filhos pequenos reduz essa chance em 73,5%, na comparação com mulheres sem filhos.
Além da penalidade salarial, existe a barreira da recontratação. Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho, extraídos do eSocial, apontam que mais de 383 mil mães foram demitidas sem justa causa após o período de licença-maternidade entre 2020 e 2025, o equivalente a centenas de desligamentos por dia útil no período. Pesquisas acadêmicas sobre recrutamento e seleção no país também identificaram viés direto: candidatas mães, especialmente com filhos menores de dois anos, relatam preterição em processos seletivos, mesmo quando apresentam qualificação equivalente à de candidatas sem filhos.
Diante desse cenário, o empreendedorismo e o trabalho autônomo têm se consolidado como rota de saída. Uma pesquisa do Sebrae com empreendedoras paulistas mostra que 46% delas apontam a maternidade como fator decisivo para abrir o próprio negócio, e 40% citam o desejo de independência financeira como motivação central. Outro levantamento do Sebrae, com empreendedoras em diferentes estados, mostra que 60% das mães à frente de um negócio próprio apontam a gestão do tempo como principal desafio, e 42% se declaram as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos, o que reforça a busca por modelos de trabalho com mais flexibilidade de horário e de local.
Esse movimento também aparece na economia do conhecimento em expansão. Segundo a consultoria Grand View Research, o mercado global ligado à economia de especialistas foi avaliado em US$ 252,3 bilhões em 2025, com projeção de chegar a US$ 310,4 bilhões em 2026. No Brasil, a PNAD Contínua do IBGE mostra que o país encerrou 2025 com 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, parcela na qual mulheres, sobretudo mães, têm presença cada vez mais relevante como resposta às barreiras do mercado formal.
É nesse contexto que a KLUQ surgiu no mercado nacional. A startup brasileira que atua no segmento EdTech e HRTech, desenvolveu uma plataforma que funciona como um hub de conhecimento prático, onde pessoas com experiências de vida relevantes podem transformar essa bagagem em uma fonte estruturada de renda, ao mesmo tempo em que quem busca orientação encontra alguém que já viveu, na prática, a mesma situação. A maternidade é um dos exemplos mais diretos desse tipo de conhecimento vivido: uma mãe experiente que pode orientar uma mãe novata, compartilhamento da experiência prática de retorno ao trabalho ou compartilhar como é a criação solo de um filho neurodivergente carrega um repertório de valor real para outra mulher enfrentando o mesmo momento.
“Quando estruturei a KLUQ, o impacto da maternidade na carreira das mulheres foi uma das muitas dores de partida. Antes de ser mãe, essa mulher é uma profissional com bagagem, conhecimento e experiência corporativa que as empresas infelizmente desconsideram, segundo as pesquisas. Se o mercado formal falha em enxergar esse valor, o capital intelectual dela continua sendo um ativo social e econômico vital. A KLUQ nasceu justamente para romper esse ciclo de exclusão: oferecemos a infraestrutura necessária para que essas mães atuem de forma independente e gerem renda a partir de seu conhecimento, trabalhando online e no seu próprio tempo. É a tecnologia permitindo que elas conciliem a maternidade com o topo de suas capacidades profissionais, conectando-as com pessoas e empresas que necessitam da sua experiência profissional”, afirma Rob Campi, fundador da KLUQ.
A proposta se soma a um movimento mais amplo de reconhecimento do capital intelectual prático como ativo econômico. Para especialistas em mercado de trabalho, iniciativas que estruturam esse tipo de troca, com segurança e critério tanto para quem oferece quanto para quem busca orientação, tendem a ganhar espaço à medida que mais mulheres identificam no trabalho independente uma alternativa viável às barreiras ainda existentes no mercado formal.
Sobre a KLUQ
A KLUQ é uma startup brasileira dos segmentos EdTech e HRTech e atua no fomento do capital intelectual (Knowledge Marketplace P2P) no mercado da Economia da Expertise e tem o propósito de monetizar e democratizar o capital intelectual no país, conectando especialistas e pessoas ou empresas em busca de conhecimento sob demanda, de forma estruturada e estratégica. Mais informações em www.kluq.com.br.
